Luciano Sheikk

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Sossego: O rato que queria ser morcego

Sonhar sempre nos fascina

O rato sossego queria ser morcego para poder voar. Por isso, pediu a alguém para lhe confeccionar um par de asas e a outro um motor que fizesse suas asas funcionarem. Queria comer mamão maduro lá no alto…queria ser um morcego, ter asas, voar sobre a cidade…
Nem por um momento pensou que os morcegos também têm problemas. E que ser rato não é a pior coisa do mundo…
Em tudo há vantagens e desvantagens, alegrias e constrangimentos, utilidade e ociosidade.
E assim “ O rato que queria ser morcego” nos mostra os dois lados da moeda, os dois modos de viver, os sonhos e a realidade…
O livro de estória de Luciano Sheikk “O rato que queria ser morcego” é muito interessante. Ele nos faz meditar sobre uma porção de coisas importantes; todos nós deveríamos estar muito felizes de sermos como Deus nos fez. Alguns são mais altos, magros, outros gordos, de estatura menor, morenos, louros, negros, mais bonitos ou menos, isso não faz diferença. Todos nós temos qualidades, momentos bons ou defeitos e momentos menos convidativos. Afinal, somos como Deus nos fez; e, isso deveria trazer-nos algum proveito, fôssemos desse ou daquele modo.
Ninguém é totalmente feio ou sem importância; ninguém é maravilhosamente bonito ou de total valor.
Todos nós temos a nossa bondade, nossa beleza interior, nossa inteligência, nossa importância e podemos ser úteis de alguma maneira.
Se hoje não conseguimos fazer algo de grande utilidade, por certo amanhã conseguiremos.
E assim, nunca devemos querer ser mais do que somos. Se nascemos assim, é porque é assim que deveríamos ser, esforçando-nos, isso sim, para melhorar e tentar descobrir em cada um a sua beleza, o seu altruísmo, a sua utilidade.
Todos nós somos bons, pelo menos um pouco, todos nós somos belos, ao menos algo em nós é belo, todos nós podemos ser úteis a alguém.
Se cada um tentar descobrir em si próprio os seus grandes valores, ou mesmo, os seus pequenos valores, o mundo poderá crescer muito em qualidade e nós vamos ter orgulho de nossos atos e de sermos como somos, como Deus nos criou.
Parabéns Luciano Sheikk! Seu livro é bom e nos faz pensar em procurar as nossas qualidades.

Conceição Parreiras Abritta

Contista, poeta, trovadora e escritora infantil com vários livros publicados e muitas premiações. Presidente da União Brasileira de Trovadores de Belo Horizonte.

Última atualização em Sexta, 25 Julho 2014 17:45

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Coisas da janela

 

FORÇA JOVEM

Estes poemas vem provar que os jovens não andam alienados, como muita gente poderia imaginar. Estão eles realmente engajados na construção de uma sociedade mais justa, com muita paz, muito amor. Um mundo melhor. E a poesia é o melhor caminho para nos levar a um mundo de sonho, de beleza, de comunicação e – por que não? – a uma revolução social, através da palavra, identificando valores, legitimando idéias e captando sentimentos.

Foi com imenso prazer que li os poemas de Luciano Esteves Mendes, que ora se revela poeta. Poeta jovem, mal saindo da adolescência. Se ainda não adquiriu a técnica dos mestres o que é natural, trás ele consigo a sensibilidade que marca os verdadeiros poetas: “Sem querer, uma poesia/ Sai de mim. / Penso no nada/ Vejo tudo que há/ Dentro de mim”.
Luciano, nos seus verdes anos, pensa na fugacidade de vida e sente que tem muita coisa a descobrir, mas confia no futuro, como é certo nos moços de ideal: ”Percebo a fugacidade, / Nos limita a idade/ Penso: deve haver algo/ Como se um lago/ Cheio de garças/ E graças... / Vou infinitas imaginações/ Por segundo. / Mergulho num poço/ Seu ter fundo/ A alegria que o mundo/ Ainda há de pintar/ Pra eu poder sonhar...”.

Nos versos bonitos de Luciano Esteves Mendes estão presentes o vinho, a lua e o violão, que se transfundem, num inebriante licor: “Essa essência/ Que relaxa minha timidez/ Embriaga minha inocência/ Me ensina poesia/ Numa noite fria/ Quente em meus lampejos/ Repletos de desejos”. E a música? “Música é a fecundação/ Do amor à arte/Em qualquer parte/ Inunda o coração”. E há sonho, paixão, vida, sorriso, mocidade, pessoas e lugares nos poemas de Luciano, numa linguagem distinta, suave, bem elaborada, às vezes elíptica, geralmente terna, cheia de calor humano.
Pela sensibilidade, talento e inteligência, Luciano Esteves Mendes, com este seu livro de estréia, já pode ser considerado uma força jovem a valorizar significativamente a literatura de nossa terra.

Kleber Rocha
Da Academia Municipalista de Letras de
Minas Gerais (AMULMIG) e Da União Brasileira de Escritores (UBE)


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COISAS DA JANELA

Por essas,
Meu peito
Bate como asa
E na casa
Faz um leito
Pra ninar
As estrelas
Em sua janela
Fico a contar
Histórias pra lua
Minguando a rua
Já um deserto
E aperto
Uma sorte
Entre os medos
Sem que a morte
Ou qualquer segredo
Venha me varrer.

 

 

 

UM ROMANCE

Manhã... Tarde...Noite...
A manhã assanha a tarde
A tarde arde à noite
A noite manha a manhã
Tarde da noite
Não dá mais
Só a-ma-nhã
Nem de tarde
Nem de noite
Nem de manhã

 

 

 

CRUZ E ESPADA

E aí coração?!
Como vai sobreviver
A tanta ilusão
E não saber
Quando achar
Caminho real...
Agonia,
Dilacera no peito
A magia
De um moço, feito
Um desvairado pássaro
Sob a vigília de um caçador
Coração gira
Como um Cata-vento
Não pára um momento...

 

 

Última atualização em Sexta, 25 Julho 2014 17:47

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Procuro-me

 

Sobre o Livro “Procuro-me”

Luciano, fiquei com “você” um tempão. Vi você brincar com as contradições, fazer filosofia com a poesia e poetizar a psicologia. Amei sua busca e seu desencontro. Identifiquei-me na indefinição do tempo e na enfermidade da emoção. Suicidei-me, renasci, espantei-me.
Conheci você até o limite do “sou tantas coisas que não sou” e, de todo o coração, digo: - Muito Prazer”
Um abraço, um beijo

Baby / 08/08/1988

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PREFÁCIO

Luciano é um jovem poeta que sabe integrar o cotidiano e a versátil aplicabilidade da palavra.
A sua intuição poética não permite qualquer renuncia que a maioria dos jovens fazem, espontaneamente, ou são tomados por circunstância, quando a exigüidade do tempo cria o sentido da falsa dicotomia entre o “fazer” técnico e o artístico. Esse paradoxo do indivisível, que desvia a afirmação afirmativa de muitos jovens, não impede ao nosso poeta/administrador de conciliar suas sensações e sentimentos, exprimindo sutilezas do raciocínio, num conjunto poético-filisófico de agradável leitura.

Em “PROCURO-ME’ encontramos legítimas apropriações de leituras, de visões diversificadas, que deixam transparecer a sensibilidade aguçada do poeta, que nos oferece, neste volume, belas imagens com uma poesia autentica. O que presenciamos, neste livro, é uma obra eivada de poemas de ação e de impulsos afetivos.

O poeta cria um mosaico de mensagens, discernindo fatos que fluem do subconsciente ou da força natural do jovem que, a cada momento, procura analisar o ser e o mundo culturalmente. São muitos os poemas nos quais Sheik demonstra sua capacidade de domínio sobre a palavra em função de um pensamento intuitivo, não permitindo a concretização de simples jogo de palavras, expressando esse elemento de criação humana que envolve sentimento, a forma e o conteúdo.

Seus poemas demonstram a capacidade reflexiva e abstrata de realização intelectual, essa capacidade, espontânea e intuitiva, é mais um dos valores do poeta e não se confunde com as normas da sapiência do intelectualismo.
Com este segundo livro: Procuro-me, percebesse uma certa evolução em relação ao primeiro, e projeta-se novas perspectivas de amadurecimento do poeta Luciano/Sheik.

Benito Taranto - Diretor Cultural da UFV


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POETA SHEIK

Sheik é um poeta. Um jovem poeta moderno, de poemas curtos, soltos, des (comprometido) e pagãos.
A poesia tem para ele, o sabor da filosofia, da indagação, da indignação, do mundo das idéias, num mundo sem ideais.
A excitação e o horror de ser poeta o domina, sente-se impotente, frágil (de costas), fraco (de frente); mas há um fio de esperança solto, alguma coisa ainda que nos faz acreditar.
Sheik poeta * “é uma corda, uma corda estendida entre” um poeta e o poeta, uma corda sobre ele mesmo.
* Parafraseando Nietsche.

Rainer Públio

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METALISTICA

A grana
Engrena
A gana.
Gangrena
Capitalista...

 



DILÚVIO

Neste instante
Não ocupo
Nem os espaços claramente vazios.
Não tenho mais desejos,
Apenas desejo ter desejos.
Estou fraco de mim.
Preciso renascer em alguém.
Sou abstrato
O mundo se faz em concretos.
Sofro pelo pouco que sei
E pelos poucos que sabem como sou.
Tudo é nada mais
É mais tudo que nada.
Sou mais um sem-vergonha
Que ama e sofre com a compreensão
Com o sonho.
A realidade é o maior sofrimento.
Tudo acima é um erro meu:
A vida, mesmo passada, não é um instante
.

 

Última atualização em Sexta, 25 Julho 2014 17:53

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Inversos

A poesia de Luciano Sheik nos deixa o legado, nestes seus novos escritos de linguagem e estilos alimentados por toda uma geração. 

Essas derivações são devaneios que devoram a marginalia figura do ser humano. Um recanto que revela um autor maduro com relação ao seu primeiro trabalho, “Coisas da Janela”, o que é um processo natural. INVERSOS galopeia por caminho de versos onde o autor depura ironia e vertentes do sonho mesclados a uma realidade interpretativa bem brasileira.
Navegando por este afluente o autor não deixa de lado, como não poderia deixar de ser, o amor (mesmo que provisório) e seus lirismos.
A sensibilidade de Sheik é um andarilho em busca de sua musa, pontes eus.

Dentro desta realidade, ser poeta, num País carente (onde milhares morrem esfomeados) é ser a antena do cotidiano. Tecer palavras significa sofrer com a razão, conclusão que não cicatriza, mas assusta.
Nesta superfície global, a palavra é um moinho d’água que serve como consolo, mesclando a sede de lutar com as barreiras do mundo.

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Luciano Sheik, poeta moderno e consciente, dotado de extraordinária sensibilidade, que estabelece potes de intensa e fácil comunicação com os leitores e se insere entre aqueles que, através dos caminhos mágicos da poesia, buscam uma linguagem atualíssima que lhes permita transmitir suas mensagens de artística, teria que ampliar sua oficina poética, depois de “Coisas da Janela” e “Procuro-me”, seus primeiros livros, para trazer-nos “Inversos”, prova de que sua inspiração continua em plena forma, deixando antever, em seus poemas, neste novo livro, a sua lucidez poética e a face da evolução positiva de sua poesia.

A gente nota, facilmente, em “INVERSOS”, além do estilo e comportamento criativo, uma real preocupação em ter a poesia como fonte de vida. Por outro lado, envereda-se ao autor pelos caminhos de uma temática que abrange o mundo cotidiano, o momento de situar-se nos sonhos amorosos, também abrangendo uma parcela transparente de ironia na parte III – “Poema Etílico e seus derivados”. “Inversos” ressaltemos divide-se em três partes, sendo que as duas primeiras se intitulam: “Uma Parte” e “Poemas Pagãos”.
Luciano Sheik, com especial presteza, submete os temas à sua feição, burilando as palavras com expressiva facilidade e um jeito moderno e pessoal de fazer poesia.
O inteligível e o sensível não se contradizem na poesia de Sheik, se empenham, e muito, para se universalizar e materializarem-se em seus poemas: “Sou a Minha Própria Superstição. / A minha Sombra e Mais Clara que Eu. / É mais convicta. É mais Certa/ E sabe variar perfeitamente. /Sou Diferente de Mim Mesmo”... “No Palácio Recanto/ De Sua Consciência/Vive O Homem. /À Parte Isso, /Ele se Interpreta.”

De repente, o autor corre o grande risco, como Fernando Pessoa, de ter varias identidades, e pretende, no homem, uma transformação total: “Se quiserem me conhecer/Sou Vírus, /Têm Que Me Isolar. //Sou Vários. /Se quiserem me isola/Têm que me conhecer. //Sou Planária. /Se Me Dividirem/Sou Vários. //Sou Apenas Alguns/Dos Vários. /Pensando Mais/Não Sou Nenhum, /Além de Mim.” E mais:... “Se Soubesse quem fui/Talvez Compreendesse quem sou. /Sinto Que Fui e Não Sei o Que Serei. /Bem Que Fui Vários, Desconfio, / E Injustamente Não Os Sei. /Ser Novamente Sem Saber Quem Fui/Anula a Validade de Ter Sido”.
Sinceramente, este livro (Inversos) é, acima de tudo, pela qualidade e proficiência do seu autor, um jovem com grandes aspirações, que tranquilamente nos diz as coisas numa linguagem rica de intenções, o reconhecimento da universalidade e onipresença da poesia. E o importante é que, nele, Sheik se movimenta consciente e absoluto dentro de seus versos, dentro de sua poesia. Assim, aqui, só um caminho temos que tomar: aconselhar urgentemente a leitura de “Inversos” a todos que amam a poesia.
É a nossa recomendação.

Zanoto - Editor de Diversos Caminhos do Jornal CORREIO DO SUL
Varginha, 18.11.90



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PREMEDITAÇÃO

Esperando teu ser
Para tê-lo em mim
Em ti meu laço joguei.
Ao Capturar
Corri para ver
E o laçado era eu.


POEMA SEM TÍTULO

 

Por trás desse asfalto                                                               

Há nos salões terno e salto alto                                                       

Bebida e o de comer

Gorjeta e chofer.


Debaixo desse asfalto
Há fósseis humanos demais
Fotossíntese a menos,
Barriga d’água e carrapato,
Zinco pelos morros esparramados,
Pães ausentes e sonhos adiados.

Todo asfalto é necessário,
Quando nos leva
A outro lugar,
Adiante e a todos.

 



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Tenho acompanhado a carreira literária de Luciano Sheik desde o primeiro livro e é por isso que, na altura deste seu terceiro, “Inversos”, registro com satisfação a calada do seu talento e o início da cristalização de sua maturidade.

Eu, um prosador, sempre vi a poesia como gênero meio foro do meu alcance. Primeiro, por nunca ter conseguido alinhavar dois versos; segundo, por selecionar muito minhas leituras nesse campo literário. Não sou um voraz leitor de poesia como o sou de prosa, mas o meu senso seletivo sempre me guiou para alguns mestres incontestáveis (e não há, aqui, necessidade de citá-los).

Disso ficou, em mim, a idéia nuclear de que a poesia é antes de tudo, vocação e força metafórica. Sem vocação não se faz poesia de bom nível assim como, sem beleza plástica, ela morre num amontoado de signos. E isto tanto vale para poetas maduros como para criadores com menos de trinta anos, como é o caso de Luciano Sheik.

O AUTOR DE “Inversos” carrega consigo esses dois elementos fundamentais. Gostei particularmente de seus poemas de cunho social e os de feitura metafórica. Gostei de perceber, no poeta, o auto-senso que limpa os versos de arroubo e os faz substantivos e claros. Como gostei, no plano geral, da continuidade de seu estilo.
Resumindo: eu gosto de “Inversos”, um livro que traz a carga e o estopim que irão detonar, um dia, essa coisa chamada Sucesso de autor. Tenho absoluta certeza. E assino.

Duílio Gomes

 

Última atualização em Sábado, 23 Agosto 2014 22:23

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Jovens para sempre

 Um retrato do artista, quando na década de 80.


por Luís Eustáquio Soares*

Jovens para sempre é um romance de formação referendado pelo plutonismo, pela agitação, a um tempo perigosa e utópica da década de 80, a partir da qual o Brasil, ou no Brasil, ser um jovem estudante universitário era bem mais que especificamente investir em seu futuro pessoal, individual - como tragicamente nos acontece, hoje -, mas antes uma forma de se fazer, de costurar, tecer e entretecer sua identidade, e seus projetos de independência financeira e de conquista amorosa, tendo em vista a participação política, a inserção comprometida no e pelo coletivo, num Brasil em que o começo do fim da ditadura exigia, da juventude, das chamadas classes médias, força, esperança, capacidade de lutar, não só por um país mais justo e democrático, mas também por novas maneiras de viver o amor, de experimentar as amizades, de se relacionar com as diferenças sexuais, culturais e econômicas. Uma década em que o caldeirão , ou o cadinho alquímico, com sua alta temperatura capaz de metamorfosear , misturando tudo com tudo, fervilhava um Brasil de sonhos, que se pretendia servir de modelo multicultural para uma humanidade esgotada e emparedada por intolerâncias de toda espécie.

É no interior dessa fabulosa década de encontros de opostos, do pensar e do agir, do trabalhar e do celebrar, do cerebral e do manual, do individual e do coletivo, que o romance de Luciano Sheikk se situa, e muito especialmente a partir da Universidade Federal de Viçosa, na Zona da Mata de Minas Gerais, palco de um cenário que vai nos colocar diante do processo de formação universitária, artística, política e humana de Maino, o protagonista que se apaixona por Cristiane, uma outra estudante, e com ela vive um romance que não os encerra em si mesmos, mas muito pelo contrário os convoca a participar da trama do mundo, pois ambos personagens , na mesma medida em que vão mergulhando no amor, são também empurrados para intervir nas contradições autoritárias, hierárquicas e patriarcais - ranço ainda dos fantasmas da ditadura – seja das ralações entre reitor, professor / aluno, ensino-aprendizagem, no que tange ao contexto da universidade, estudantes que são, seja no que se refere à estrutura falocêntrica das famílias, principalmente da de Cristiane, cujo pai vai colocar toda sorte de obstáculos , machistas, certamente, para inviabilizar o seu namoro com Maino.

Seguindo a linha dos romances de formação, um pouco no rastro de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, ou Um retrato do artista quando jovem, de James Joyce, ou ainda do Paradiso, do cubano José Lezama Lima, todos, no fundo e no raso, narrativas que tratam do processo de formação do artista, Jovens para sempre, primeiro romance de Luciano Sheikk, relata as peripécias e dificuldades de Maino, através das quais o artista – Maino, na narrativa, é autor e ator - vai emergindo a partir das ruínas de uma sociedade estruturada em torno de instituições caducas e conservadores.


Nesse sentido, são os obstáculos, as adversidades políticas, econômicas, educacionais e familiares de um país pós-ditadura que vão definindo o horizonte ético e estético de Maino, preparando-o, nadando contracorrente, para tornar-se um ator multifacetário, dividido entre o palco, a necessidade de terminar o curso universitário e o compromisso com a história amorosa com a personagem Cristiane.

Inspirado pela batida musical, poética, política, cosmopolita e utópica de Chico Buarque, Led Zeppelin, Beatles, Janis Joplin, Titãs, Jimi Hendrix, Che Guevara, Paulo Leminski, Fernando Pessoa, Beatles, Raul Seixas, Rolling Stones, Clube da Esquina, Djavan, 14 Bis, Erick Clapton, Bob Dylan a turma da tropicália, entre outros, o protagonista, diante das adversidades, acumula forças para dar conta de abraçar o mundo, já que se trata literalmente disto, abraçar o mundo, se multiplicar, ser muitos: ser estudante, em termos de enfrentar o desafio de terminar, da melhor forma possível, o curso universitário; ser apaixonado, vale dizer, não descuidar da vivência amorosa; participativo, sob o ponto das políticas universitárias, das políticas nacionais e internacionais; e, a um tempo, ser ator, capaz de viver sua formação artística acumulando todos os perfis e, portanto, abraçando, o mundo.

No decorrer da narrativa, o mundo, no entanto, vai ficando cada vez maior, o mundo universitário, o mundo da família, o mundo da cidade, o mundo artístico, o mundo das amizades, o mundo do universo píquico-afetivo da personagem Cristiane, a qual, após ter ficado grávida de Maino, torna-se uma figura feminina convocada, e o faz, a abraçar novos mundos, a sair, enfim, da estreiteza do ambiente patriarcal, dentro do qual ela é, apenas, a filha, ou a namorada de Maino, para se fazer como mulher, dotada de uma esfera subjetiva mais complexa, sendo capaz de construir, como sujeito feminino, sua própria história afetiva e financeira, dona de seu destino, independente das intervenções masculinas.
Diante de um mundo muito maior , portanto, o abraço precisa de braços gigantes. A cidade já não é, sob a perspectiva de Maino, a cidade universitária de Viçosa, ou a sua cidade natal, mas é também o Rio de Janeiro, lugar onde ele procura construir sua carreira de autor e ator. Os lugares se multiplicam, o que exige, dos personagens, capacidade e coragem para tomar decisões mais arriscadas, audaciosas, embora sempre referendadas por instâncias éticas, conforme o código comportamental da década de 80, a partir do qual ser é ser afetivamente, intelectualmente, profissionalmente, relacionalmente, politicamente. É ser muitos em um.

O mais relevante, no entanto, em Jovens para sempre, é que, como romance de formação, fundado sob signo do dinamismo, da referência ética, da perspectiva do inacabamento, já que somos seres inacabados, posto que nunca estamos prontos, visto que nada é definitivo, enfim, diante dessa narrativa de formação, de Luciano Sheikk, ou tendo em vista a profusão de novos desafios nos quais os personagens são lançados, Maino e Cristiane também se multiplicam, tornam-se muitos, mais preparados para enfrentar um mundo adverso e, sob muitos aspectos, inóspito.
Nesse sentido, Jovens para sempre nos mostra que estudar não é apenas adquirir um diploma, ou estar apto, ser competente, para exercer uma profissão, mas, muito mais, é antes de tudo ir se melhorando e se refazendo de modo multidimensional, vale dizer, intelectualmente, afetivamente, socialmente, politicamente, culturalmente, subjetivamente. Exatamente é o que acontece com Maino e Cristiane, no decorrer da narrativa.

Para tanto, é preciso ser estudante para sempre, e, portanto, jovens para sempre.

*Luís Eustáquio Soares é poeta e escritor, autor de Paradoxias e Cor Vadia e doutor em Literatura Comparada, pela UFMG.

 

 

 

" Seu livro tem um enfoque certamente inovador, que traz à luz questões que envolvem amor, liberdade, mudança, educação, espiritualidade...
Os motivos são tratados de forma leve, o que proporciona ao leitor uma leitura fácil e prazerosa.
Sem dúvida um livro dedicado a todos que desejam melhorar a qualidade de seus relacionamentos, criando laços de amor com os outros, consigo mesmo e com Deus."

Imaculada Drummond

Professora de Literatura

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jovens para sempre apresenta uma história de amor entre dois jovens que desejam transgredir os limites da carne em busca de uma transcendência a partir da realidade, a realidade que mostra um brasil também violado nos campos mais bugres de sua geografia, onde mais que lendas de jovens que levantam bandeiras de esperança, lançadas no mormaço dos anos 80, há embaraços e armadilhas para os olhos que penetram o campo das palavras de maino, este nome que poderia ser pedaços de macunaíma, a começar na letra que é sonora, por que traz a índole de quem escreve a partir de uma aldeia de êxodos, vivo e redivivo no mesmo espaço e tempo, um nome que assume sua condição de ser humano a trabalhar a vida no mundo como diamante reluzindo verdades, mesmo configurado na ideologia, maino é uma espécie de sangue indígena que resiste, o mais crescente desejo de construir os sonhos como ampolas de êxtase, mais que romance, jovens para sempre é um só clímax, clímax de minas para o brasil, biografia de invenção de um poeta, álibi para uma geração nada acéfala.

Wilmar Silva

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O livro Jovens para Sempre foi lido, debatido e autografado no Colégio Magnum Agustiniano de Buritis, em Belo Horizonte, em 2009.

 

 

 

 

Última atualização em Sexta, 25 Julho 2014 17:50

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O Pardal e o Chapinha

Já se disse que a literatura não é feita de bons sentimentos. Pode ser. Mas o grande desafio de quem escreve para crianças é fazer, sim, literatura com bons sentimentos. Luciano Sheikk consegue isso de maneira muito bonita com sua história sobre passarinhos, mentiras, astúcia e velhice. Talvez o que estrague uma literatura “edificante”, “boazinha”, “educativa” – e quantos livros infantis não merecem esses adjetivos?—não seja o ensinamento que pretendem transmitir, e sim a falta absoluta de verdade, de sinceridade, que os acompanha. No caso de “O Pardal e o Chapinha”, impulsos de generosidade, idéias morais sobre o honesto e o inautêntico, não surgem de modo forçado na história, nem levam o narrador a pintar os personagens de um jeito mais bonito do que são. Dois meninos querem ganhar dinheiro vendendo um reles pardal como se fosse um canário. A atitude não é das mais corretas, mas Luciano Sheikk encarrega a própria narrativa de consertar as coisas. E, o que é mais importante, tudo se conserta sem punição nem moralismo. Aposta-se na capacidade que os seres humanos (e os passarinhos) têm de modificar-se a si mesmos, por si mesmos, por obra de sua própria liberdade –mesmo que estejam presos, como pássaros, na gaiola do que são. Essa aposta, creio eu, é a de toda literatura realmente boa, sejam quais os sentimentos que pretenda expressar.

 

Marcelo Coelho
Escritor, Jornalista e membro do conselho editorial da Folha de São Paulo

 


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Meu caro Luciano,

 

Li seu texto e gostei muito. É sensível, humano e muito bem escrito...
E entre parênteses, acho que o texto não precisa de prefácio: ele se apresenta por si mesmo...

 

Grande abraço do Moacyr Scliar

 

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O Pardal e o Chapinha consiste numa narrativa sutil e poética sobre a natureza e a própria condição humana. Com uma linguagem ao mesmo tempo diáfana e reflexiva, Luciano Sheik conta a história de Paulinho, um garoto ambicioso, que desejava ganhar dinheiro com a venda de um passarinho. 
Metáfora da luta pela sobrevivência, que tem na busca da verdade e na afirmação da liberdade seus pilares, Pardal e o Chapinha trata de questões fundamentais da existência, colocando em xeque a relação do homem com o meio ambiente, com seu próximo e com valores tão baldos na sociedade contemporânea, tão utilitarista e negligente. Uma fábula que não só proporciona o prazer da leitura, mas nos remete a um mergulho sobre nosso papel diante dos grandes desafios da vida.

Ronaldo Cagiano

 

 

 

 

Última atualização em Sexta, 25 Julho 2014 17:52

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